sexta-feira, novembro 05, 2010

TRABALHADORES INVISÍVEIS
Não consigo entender uma coisa. A Prefeitura de Porto Alegre através do seu órgão de obras há algumas semanas iniciou a reconstrução, ou melhor, o conserto do Viaduto da Conceição que liga a zona norte da capital com a zona sul. Os engenheiros constataram que as fissuras existentes causadas pelo tempo necessitavam de um tratamento, sob pena da obra ficar completamente comprometida. Pois bem. Fez-se uma licitação e a empresa vencedora iniciou os trabalhos. A EPTC que controla o trânsito na Capital isolou uma das pistas do viaduto e modificou o tráfego na região desviando o trânsito para não saturar aquela passagem e permitir que os trabalhos fossem realizados com absoluta segurança. As ruas Garibaldi e Santo Antônio tiveram seus sentidos invertidos.
Eu passo todos os dias pelo Viaduto da Conceição e até hoje não vi ninguém trabalhando no local. Evidente que a conclusão dos trabalhos de conserto do viaduto levará mesmo um ano e seis meses para serem concluídos conforme foi dito à imprensa pelos responsáveis pela obra. Se ninguém, ou dois ou três homens trabalham no local, evidente que o viaduto só vai ser liberado daqui a 18 meses.
Porto Alegre já vive problema de trânsito que chega. Os engarrafamentos se sucedem, os motoristas andam estressados, não há respeito e educação por parte de alguns, e não se tem conhecimento de nenhuma providência para melhorá-lo.
Os corredores de ônibus que foi uma genial idéia de décadas passadas, em alguns locais apresentam problemas de afundamento da pista, ou seja, existem trilhos e ondulações que provocam desconfortáveis solavancos, transformando o passageiro numa verdadeira pipoca na panela de tanto que pula no acento. Sem falar nos abrigos de espera. Quando chove, com um pouco de vento, o passageiro se molha todo e quando é dia de sol não há proteção que ofereça sombra. A orientação solar na grande maioria das paradas é completamente fora do azimute causando desconforto e aflição ao usuário que aguarda o seu ônibus. Ontem, por exemplo, com um calor que atingiu 37 graus, nas paradas de ônibus do Mercado Público, as filas ultrapassavam os abrigos e as pessoas ficam expostas ao sol causticante. Aquelas coberturas foram colocadas quando o número de passageiros era menor. Hoje, as pessoas que se utilizam do transporte urbano cresceu e os abrigos ficaram os mesmos. E tudo é assim. Não se vê no centro de Porto Alegre uma obra que venha a oferecer mais comodidade e conforto a sua população.
Uma capital que será sede de jogos da Copa do Mundo em 2014 não pode abstrair esses problemas, afinal o contribuinte metropolitano merece uma melhor atenção do poder público.

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