OS LADRÕES E AS IMUNIDADES
O jornalista, repórter e apresentador de notícias da TV Globo, Alexandre Garcia, que por sinal é gaúcho, escreveu um comentário na revista CNT – Transporte Atual, nº 182, deste mês de novembro que bem espelha como os ladrões deste país são protegidos pelas nossas Leis.
Permito-me transcrever alguns trechos porque é de uma certeza tal o que diz Alexandre Garcia que o que ele afirma é o que pensa uma grande parcela da sociedade brasileira, mas que ainda é minoria neste Brasil.
“Os fichas sujas tiveram mais de 8 milhões de votos (nestas eleições). Numa eleição que foi antecedida por um julgamento que deveria ter chamado a atenção dos eleitores: o Supremo condenou à prisão, pela primeira vez, um deputado federal. O deputado Tatico, dono de uma rede de supermercados nos arredores de Brasília, foi condenado a sete anos de prisão... em regime semi-aberto e, imaginem, ainda que tenha sido sentenciado na Corte Suprema, os advogados dele ainda têm o direito de pedir explicações ao Tribunal... Enquanto isto o deputado continuou em campanha eleitoral e ficou longe de ser reeleito. Não terá mais imunidade em outro processo-crime contra ele, por roubo de carga. Muita carga roubada foi encontrada nas prateleiras e depósitos dos supermercados Tatico”.
E prossegue Alexandre Garcia: “O procurador-geral da República e o ministro-chefe da Controladoria Geral da União têm dito que as leis penais não podem ser leniente, frouxas, boazinhas com os corruptos. No caso de carga roubada, o exemplo é típico. Na ponta de um assalto na estrada ou em um depósito de carga, há sempre alguém que mandou, estimulou, encomendou ou garante a colocação do produto do roubo. E, diante do porte da ação criminosa, raramente é alguém pequeno. No caso Tatico, havia alguém com imunidade parlamentar e votos”.
Este exemplo demonstra como é difícil trabalhar com leis fracas e com fraquezas que debilitam funções do Estado, como as de fazer as leis, aplicá-las e fazer com que sejam cumpridas. A engrenagem legal está cheia de dentes rachados e quebrados. O pior é que faz anos que se bate nessa tecla.
O custo Brasil é alto por causa da insegurança pública, da insegurança jurídica, da fraqueza das instituições. Se alguém perguntar por que não acontece assim no Uruguai ou no Chile, para não ir mais longe, vai se saber que é uma questão cultural. Eles nunca endeusaram o jeitinho, jamais entronizaram a malandragem, não são coniventes com os fora da lei. Cada cidadão, desde a escola pr9imária, é formado como um guardião da lei e das instituições. Aliás, eu mesmo, que faço parte de outra geração, fui criado desta maneira. Havia mais respeito, em primeiro lugar pela Pátria, depois à família e as autoridades. Hoje nada disso é mais observado. O brasileiro de hoje é capaz de trocar a Bandeira por uma garrafa de cachaça e eleger para cargos importantes o mais corrupto dos candidatos. Não bastam campanhas em erráticas em rádio TV e jornal e indignações passageiras. Isso tem que ser metido na cabeça das novas gerações desde o lar até a escola, ou cada vez vamos ter eleitos, com imunidade, envolvidos em roubos, estelionato, sonegação de impostos, ante um país aturdido e sem reação.

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