terça-feira, novembro 09, 2010

AINDA NÃO HAVIA LIDO COISA IGUAL
Já li nestes poucos dias, passadas as eleições, muitas opiniões sobre o possível retorno da CPMF, abolida em 2007 pelo Senado em memorável sessão, mas como a do ex-senador e ministro Carlos Alberto Chiarelli, ainda não havia lido.
Pelo atilamento do seu artigo publicado no jornal O Sul, Caderno Colunistas, desta terça-feira, 9/11/10, não poderia deixar de republicá-lo para conhecimento dos assíduos leitores do meu blog. Ele começa citando Platão.
Título – Desmemoriados e Omissos
”A punição que os bons sofrem, quando se recusam a participar, é viver sob o governo dos maus” (Platão).
Durante toda a campanha, não houve um único candidato que mencionasse a hipótese de aumentar impostos. Ao contrário, muitos gravaram, discursaram, juraram que até diminuiriam os tributos, se eleitos fossem.
Passados menos de cinco dias do pleito, Lula faz um comentário dando uma dica pró-retorno da exorcisada CPMF e, instantaneamente, como automatos ou bichinhos domésticos bem treinados, 14 ou 15 futuros governadores se disseram prontos e entusiasmados a lutar por “causa tão justa”.
E tudo é (perdoem o termo cinicamente atribuído à luta pela saúde. Dão a atender que se agora está péssima (e disso ninguém duvida), antes com a CPMF, tal não ocorria. Mentira! E da grossa. Já estava lamentável, gerando um quase(?) criminoso (des)atendimento. Ou não é verdade?
O que se quer é extorquir do pobre assaltado contribuinte um pouco mais. Afinal de contas, o “impostômetro” marcou apenas um trilhão de reais (R$1.000.000.000.000: estou escrevendo em números para que todos sintam bem a profundidade da facada governamental) de tributos arrecadados em dez meses no Brasil!. Cada cidadão, em 2010, trabalhou 158 dias para alimentar o leão governamental, o que nos faz a todos patriotas sacrificados ou grandes tolos. Ou ambas as coisas, ao mesmo tempo...
É incrível tanto desrespeito com a memória da sociedade. É inacreditável que se pense, impunemente, que o cidadão não se apercebe do engano grotesco e ofensivo de que está sendo vítima. Maquiavel, tão citado por seus ensinamentos, ora pragmático, ora pueris, mas sempre interesseiros, em matéria de exercício (ou conquistas) do poder, passa a ser mero aspirante a pecador venial ante verdadeiras escatologias penais de homens públicos, que desprezam palavras ditas e compromissos, espontaneamente, assumidos.
No entanto, há pouco a resolver, ainda que muito pouco a reclamar. Os números do último pleito nacional mostraram que cerca de 30 milhões de patrícios foram à praias, à serra, ficaram tomando mate em casa, participaram de romarias, lotaram cinemas e teatros e votar, que é bom, necessário e obrigatório, isso não fizeram. Outros seis milhões compareceram omissamente, abstiveram-se ou, em um desapreço pelo seu direito de opinar e influir, simplesmente anularam o voto.
Em grande parte, graças à contribuição de faltantes e desinteressados, adeptos do exercício triste e pecaminoso da não-cidadania, estamos, agora, ante o deplorável deboche da ameaça da reivindicação da CPMF, patenteado no desrespeito chocante de recém eleitos com um mínimo de seriedade.
Enfim, não se está a dizer nada de novo. Basta repetir a lição de Platão: “A punição que os bons(?) sofrem, quando se recusam a participar, é viver sob o governo dos maus”.
Que pena!

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